quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sonetos de Morte - (I) Meu olhar não quer mais me pertencer


Meu olhar não quer mais me pertencer,
Seu brilho vaga em terras distantes;
Lá, louco, se esvai com os errantes,
E aqui, a escuridão reina em submeter!

O medo da Morte me abandonou
Porque já sinto o seu beijo em vida;
Tão gélido e de solidão sofrida
Que nem o verme meu estado abençoou!

Uma vida sem razão ou sentido,
Entregue à uma rotina parasitária,
Ultrapassa um coração ferido,

Repudia toda ação libertária,
Exalta o arreio por partido
E ama a câmara mortuária!

(João Paulo Moço)

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