Flores! Flores negras
Formando uma guirlanda fúnebre!
O grito secular ressurge
Em Baton Rouge!
Uma delas fora arrancada
E suas pétalas nem tocaram o chão,
Porque lá, no frio, sempre estão
As incontáveis!
E logo a guirlanda dispersa!
"A mão! Lá vem a mão!
Fazer da nossa voz submersa,
Deitar nosso grito ao chão!"
Mas, uma flor permanece!
Em meio à gritos, correria e caos,
O seu silêncio é a prece:
Quem expressa o seu desabafo,
Quem à luta eleva e enobrece
É a sua inércia!
A forma mais bela de protesto
É a que, diante de qualquer ameaça,
Continua sendo o que é!
E ela seguiu sendo flor,
Mantendo imóvel à denúncia:
"A maldita árvore fora cortada
Mas as raízes, continuam lá!"!
"Por cima, por baixo e até dentro de nós,
Elas crescem, se movimentam e dão frutos
De um passado tão presente e atroz,
De um rio que vem beijando o asfalto,
De sangue sedento por foz
À desaguar..., em nós!"!
A mão se apressou em levar
A flor solitária!
Afinal, o que seria dela
Se as outras flores percebessem
Que seria impossível mover
A inércia de todas juntas?
"Não às utopias libertárias!
Tremam as linhas imaginárias!
Que o Solstício venha mais cedo
E só lhes reste o frio e o medo!"
A flor é um cateto poente
Cuja extremidade abraça o Oriente,
No encontro da diferença igual,
Na Praça da Paz Celestial!
A flor é mãe!
E ser mãe é um mutirão de sentimentos
Trabalhando para que o sentimento de um
Seja a verdade
Da liberdade!
(João Paulo Moço)

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