sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Companheira Solidão


Numa noite, você foi embora
Mas, o amor aqui ficou;
E na casa apenas restou
A saudade que minh'alma chora!

Lembro-me, olhando o pó,
Que as nossas solidões
Protegiam-se nos corações!
E hoje? Minha solidão é só!

O tempo ofuscou sua imagem
E a solidão tornou-se um gigante;
Meu único prazer e amante!
Deus! Sou fera selvagem!

Por não ter mais a perder,
Acabei por perder o medo:
Das tormentas, descobri o segredo,
A noite transformou-se em meu ser!

Por instantes, sinto-me povoado
Novamente, quando nossas músicas
Ecoam como tristes súplicas:
Lembranças de um feliz passado!

Logo se vão:chegam ao fim!
Então, miro o meu interior:
Não há espinho nem flor,
O nada fez morada em mim!

(João Paulo Moço)

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