Era mais um dia à suicidar-se na mesmice,
Até que o mar decidiu vestir vermelho!
Foi na hipnose das tuas ondas
Que o Sol nasceu em plena noite
E as bocas cessaram as sandices
Para que apenas os olhos falassem!
Quem entendia aquela língua erótica?
E de que adianta desnudar as palavras
Quando, tudo que importa é o que está por trás
Dos seus "mas" e "mais"?
Todos sabiam!
Eram apenas engrenagens desgastadas,
Eram peças, rotações tão cansadas,
Sonhando um segundo em ser usadas
Apenas para si! Só para si!
Para produzir seu próprio gozo
Ao menos uma vez!
Amarraram os pés com barbantes
E abriram lojas à vender vôos!
Puseram mordaças nas bocas
E inauguraram butiques à vender sorrisos!
Quanto mais se tem, mais altos são!
Quanto mais ricos, mais belos são!
Mas, serão eles verdadeiros?
Às vezes, nos partimos no próprio sonho!
Mas, o sorriso? Este é inquebrantável!
Às vezes o cristão espanca,
Cospe, xinga e pisa em você!
E são as cinzas da bruxa que te acolhem
E te ensinam a voar
De verdade!
Vão-se as saideiras
E o adeus não chega!
A realidade
Da sobriedade
Sempre convida ao evitar!
E quem entendia aquela língua triste?
Sentimentos e histórias pululam na alma:
Todos sabiam!
Era um ponto de encontro das solidões,
De todos os tipos, cores e emoções,
Onde a inexistência dribla o mundo
E existe!
E ali, num canto, a mesa secular!
Sim! Ela está em todo lugar!
E nela, está o maldito mestre
Que, da minha mente, é o pedestre!
Sorri para mim, erguendo a taça,
Relíquia que o tempo não enlaça,
Escárnio do pavor subterrâneo
Feito de seu próprio crânio!
(João Paulo Moço)

Excelente , A Ressurreição Este poema está Muito Bonito!
ResponderExcluirEu gostei , Muito desta Parte :Vão-se as saideiras
ResponderExcluirE o adeus não chega!
A realidade
Da sobriedade
Sempre convida ao evitar!
A Humanidade Realmente é Um Fracasso !!!
Obrigado pelo comentário, amigo.
ResponderExcluirSão os massacres diários que sofremos à todo instante. É a nossa fuga nos pequenos prazeres.