quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Poucas Palavras


Escorreu de mim a última gota de verdade.
As mentiras formam rios poderosos que desembocam em mares de oceanos profundos.
Mantenho-as dentro de mim e sufoco as palavras.

O pensamento e o discurso dançam em lados opostos da balança.
Uma balança em eterno desequilíbrio.
Beijo a boca do silêncio.

Descobri infindos ouvidos em cada célula de meu corpo.
E fui à semeá-los por aí, pelo mundo, sem segregações, desigualdades ou preconceitos.
E a minha voz? Bem, esta é única, sussurro digno de poucos,
Contados pelos dedos desta mão.
Ah! E como sobraram dedos incorrespondidos!

Sou como todos os outros: 
Não me deleito nos discursos que enumeram os erros
Que cometo afogado no desejo e no gozo.
Falhas dignas de penitência..., quando não as cometo!

As palavras tentam matar-me a todo instante, porque amo demais.
E à tudo que amo, nada sei dizer.

(João Paulo Moço)

2 comentários:

  1. Belo Joneto amigo! Bem profundo na arte do falar e do calar. Com o palco sendo tomado por algozes, que se agarram a ele e arremessão ao abismo qualquer um que se atreva a subir.

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