As palavras me saltam do papel
Barulhentas, num ensurdecedor tropel;
Bradam uma, dez, cem:
Gritam para ninguém!
Sou o escritor das paredes!
Ávidas, elas têm sede;
Cobrem tudo com areia e cimento,
Poupam o mundo de um grande tormento!
Meus poemas saem a esmo,
Não agradam nem a mim mesmo,
Por que sigo a escrevê-los?
Oh! Meus filhos! Tão feios!
Monte de palavras em rodeios,
Melhor não mais concebê-los!
(João Paulo Moço)
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