Veio-me o imenso desejo
De nunca mais escrever;
Pensamento a resplandecer
Em linhas tortas, versejo!
Contento-me às belas poesias
De sofridos e sábios mestres;
Almas descontínuas, alpestres,
Dançando em minhas cercanias!
Nelas, tenho tudo que preciso
Para tratar meus sentimentos;
Porto seguro, luz, alentos,
Perfume encantador de narciso!
A onda atingiu-me tão forte
Lançando-me para fora do papel;
Trabalhando-me com afiado cinzel,
Faz de mim o seu consorte!
Maravilhoso foi poder entendê-la
Que, num paradoxo, peguei a pena;
Desafiando a razão na arena,
Só pelo alívio em descrevê-la!
(João Paulo Moço)
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