sábado, 25 de maio de 2013

Escrevendo o "Não-Escrever"


Veio-me o imenso desejo
De nunca mais escrever;
Pensamento a resplandecer
Em linhas tortas, versejo!

Contento-me às belas poesias
De sofridos e sábios mestres;
Almas descontínuas, alpestres,
Dançando em minhas cercanias!

Nelas, tenho tudo que preciso
Para tratar meus sentimentos;
Porto seguro, luz, alentos,
Perfume encantador de narciso!

A onda atingiu-me tão forte
Lançando-me para fora do papel;
Trabalhando-me com afiado cinzel,
Faz de mim o seu consorte!

Maravilhoso foi poder entendê-la
Que, num paradoxo, peguei a pena;
Desafiando a razão na arena,
Só pelo alívio em descrevê-la!

(João Paulo Moço)

Nenhum comentário:

Postar um comentário